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Oportunidade fez esta família Empreender na Pandemia

Entrevista com Flávia e Felipe Oliveira, fundadores da First Speaker

A pandemia causou muitas mudanças no mercado de trabalho no mundo todo. Aqui na Nova Zelândia não foi diferente. A tecnologia teve um avanço gigantesco, mudando a atitude de empreendedores, criando novos caminhos e oportunidades.

Este casal viram na dificuldade, uma oportunidade de realizar um sonho adormecido.

Conheça esta história.

Família

Família e amigos reunidos no aeroporto na nossa saída do Brasil. 2018. Foto arquivo pessoal.

“A gente vem de famílias grandes. Nós somos de São Paulo, embora o Felipe seja natural da Bahia.

Na verdade, sua família se mudou para Cajuru, interior de São Paulo, quando ele tinha apenas 1 ano e só foram para a capital paulistana quando o Felipe já tinha 12 anos.

A família dele sempre teve um estilo de vida mais alternativo, principalmente nos estudos; eles são adeptos do que hoje é chamado de homeschooling e isso sempre funcionou bem pra eles. Hoje 3 de seus irmãos são universitários e 1 empresário.

Paulista

Já a minha família é bem paulistana, nasci e fui criada na capital. A família também é grande, sou a mais velha e tenho mais 5 irmãos, três meninas e dois meninos.

Hoje três deles ainda moram no Brasil, mas uma irmã e um irmão estão morando no Japão”, conta Flávia.

“A nossa família é nossa maior riqueza e foi o que mais pesou quando decidimos sair do Brasil e tentar a vida em outro país.” Flávia

Decisão de sair do Brasil

“Há mais ou menos uns 5 anos a gente teve a primeira conversa sobre sair do Brasil. O Felipe já tinha tido a experiência de morar fora porque ele ficou 1 ano no Japão, mas a gente tinha vontade de fazer isso juntos.

Eu trabalhava como chefe de reportagem no Canal Rural e o Felipe dava aula de inglês na Wizard e, apesar de trabalharmos muito, nunca era o suficiente para dar uma alavancada na vida.

Conversamos sobre o Felipe aprimorar o conhecimento dele como professor de inglês e fazer alguma especialização e foi quando achamos um curso de TESOL em Auckland que, além de caber no bolso, era exatamente o tipo de curso que ele estava interessado em fazer”, diz Flávia.

“Chegamos a cogitar países como Austrália e Canadá, mas o custo-benefício da Nova Zelândia era muito melhor e com a vantagem de ainda nos permitir trabalhar, além de termos nos apaixonado pela beleza natural e cultural do país”.

Expectativas versus Realidade

“À princípio a gente imaginou que ficaríamos aqui por 1 ano, porque esse era o tempo do meu curso. Compramos um curso de inglês de apenas 4 meses para a Flavia e achávamos que depois disso seria possível aplicarmos um visto de partner, mas não deu certo por confusão do adviser.

Foi quando a Flavia decidiu fazer um curso em Early Childhood. Ela já havia cursado 1 ano de pedagogia no Brasil e já estava trabalhando como babá desde que chegamos aqui, então fez bastante sentido.

A nossa expectativa era estudar, conhecer esse país incrível e vivenciar outra cultura. O que não sabíamos era que iríamos nos encantar tanto com a Nova Zelândia.

Primeiro passeio em Auckland, subindo o Mt Vitcoria. 2018. Foto arquivo pessoal.

O que a gente mais admira aqui é a beleza natural. Tivemos o privilégio de morar uns 2 anos e meio em Auckland, depois um tempo em Turangi (uma cidade pequena, bem próxima de Taupo) e agora estamos em Queenstown, e cada um desses lugares oferece um tipo de paisagem única e maravilhosa.

Mas é claro que não dá pra deixar de falar de como nos sentimos seguros aqui, especialmente durante a pandemia. Saber que estamos em um país que prioriza o cuidado com o ser humano e trabalha para garantir isso é muito reconfortante”, nos conta Felipe.

Os desafios em ser imigrante

“Essa virada de vida é sempre desafiadora, especialmente se não há muito dinheiro envolvido.

Nós não somos de famílias ricas e para vir pra cá, nós vendemos literalmente tudo o que tínhamos em casa e juntamos toda a grana possível por 2 anos.

Mesmo assim, pagar pelos cursos fez com que todo esse dinheiro sumisse do dia pra noite, afinal a gente juntou dinheiro em Real e gastou em Dólar e isso, por si só já é uma desvantagem.

Trabalho

Quando chegamos aqui, estávamos dispostos a encarar qualquer trabalho. Felipe trabalhou como garçom e atendente em uma padaria vegana até conseguir começar a pegar aulas como professor substituto, mas isso levou uns 6 meses.

Já eu trabalhei como babá e como faxineira por 1 ano e meio e depois consegui começar a trabalhar como professora substituta em escola infantil. Ainda assim mantive o trabalho como faxineira para uma família e trabalhei como babá esporadicamente até o sexto mês de gestação”, diz Flávia.

Desafio com pandemia

“Mas no começo de 2020 parecia que tudo estava se encaixando. Então veio a pandemia.

As escolas de intercâmbio diminuíram muito suas atividades, isso se não fecharam. Essa foi uma das razões de sairmos de Auckland. O Felipe voltou a fazer turnos em outros trabalhos como garçom e labour até que nos reestruturamos e abrimos nossa própria escola de inglês, a First Speaker.

“Ser um imigrante é sempre estar atento às novas possibilidades de trabalho e estudo, mas é também estar aberto ao incerto e pronto para encarar os desafios que a vida nos prega.”Flávia

 

Conte como foi iniciar a empresa First Speaker School?

Felipe prestes a dar a primeira aula da First Speaker 2021. Foto arquivo pessoal.

“Sempre tivemos a ideia de abrir uma escola, afinal, somos dois professores e apaixonados por educação. Mas a gente sempre teve em mente que queríamos criar algo acessível, palpável e com qualidade. Logo que mudamos pra NZ, cheguei a montar um grupo de estudos que acontecia na nossa sala mesmo e cobrava um valor simbólico de NZ$ 5 por hora, mas como tínhamos que trabalhar e estudar, não deu pra manter por muito tempo.

Quando a pandemia aconteceu e as escolas de inglês daqui se viram na dificuldade de atender alunos presencialmente, todas as aulas foram passadas para o digital e estar em casa nos fez refletir de novo sobre o que gostaríamos de fazer. A Flávia estava grávida e o Eric nasceu logo após o lockdown e estarmos os dois em casa facilitou muito nessa fase.

Conversamos bastante e chegamos a conclusão que embora abrir uma escola física fosse um sonho ainda distante, poderíamos adaptar a ideia para uma escola online. Foi aí que nasceu a First Speaker. Foi da vontade de trabalhar na área da educação ajudando a comunidade de imigrantes com ensino de qualidade mas preços acessíveis.

(…) embora abrir uma escola física fosse um sonho ainda distante, poderíamos adaptar a ideia para uma escola online. Foi aí que nasceu a First Speaker. Felipe 

Hoje nós temos duas formas de atender alunos e interessados: através do site www.firstspeaker.nz qualquer pessoa pode conhecer a escola e já consegue escolher quantas semanas de curso quer comprar. O site é bem simples e temos versão em inglês e em português, basta mudar a língua no canto superior da primeira página.

Além disso, acreditamos muito no boca-a-boca e aí entra o nosso atendimento via WhatsApp.

Tiramos dúvidas, conversamos, e marcamos aulas através do WhatsApp justamente por ser uma ferramenta fácil e de acesso comum.

Nós fazemos tudo com muito carinho.

É como se a First Speaker fosse um segundo filho e queremos estender esse sentimento de forma que nossos alunos se sintam confortáveis e sempre bem-vindos.

Acreditamos que o nosso diferencial é proporcionar um ambiente familiar, ainda que dentro do digital e ter como foco o desenvolvimento individual de cada aluno.

Pessoas são únicas e, embora as aulas sejam em grupo, levamos em conta essa individualidade no aprendizado para garantir que todos saiam confiantes”, relata Felipe.

Foto depois da nossa formatura nos cursos de TESOL e ECE. 2019. Foto arquivo pessoal.

Quais seriam seus planos futuros para a escola?

“Temos muitos planos. Muitos mesmo. Alguns estão mais longe de se concretizarem, mas o que podemos dizer agora é que estamos implementando IELTs que vai ser com um professor nativo de grande renome em Auckland.

Outro plano a médio prazo é a implementação do curso infantil e adolescente. Também, possivelmente chamaremos outros(as) professores(as) para ensinar outras línguas. Mas antes de qualquer coisa queremos ser conhecidos por nossa qualidade, então fazemos tudo com calma e bem pensado.

Muito mais do que expandir, a gente quer garantir que nossos alunos saiam dos cursos confiantes e se sintam preparados para encarar a língua inglesa, independentemente de qual for a finalidade.

Deixe um conselho aos brasileiros que querem migrar para países de língua inglesa, mas se travam por causa do inglês.

“Se comunicar é fácil. Todo mundo sobrevive, mesmo passando mais dificuldade. A língua não deve impedir seus sonhos de se realizarem. Mas se comunicar é diferente de falar bem uma língua.

O que eu vejo que dificulta muito a aprendizagem é que algumas pessoas tendem a achar que vão aprender a língua sem esforço. Como as crianças aprendem. Mas até as crianças em suas línguas maternas têm que ir para escola lapidar a pronúncia, gramática e escrita.

Latinos têm muita facilidade em se soltar e falar. Esse é nosso forte. O ponto fraco é a gramática. São bons em passar a mensagem, mas frequentemente atropelam a gramática no processo.

Se querem aprender uma língua em nível fluente, para migrar ou não, todos os passos devem ser dados. E entre esses passos está muitas horas de exercícios.

Quem diz o contrário está só usando estratégia de marketing.

(…)Falar corretamente nos dá mais prestígio, ajuda na autoestima… É um esforço que vale a pena. Felipe

Eu vejo pessoas que estão aqui há muitos anos e cometem erros de iniciantes.

É muito prejudicial, porque depois de repetir tantas vezes errado, fica mais difícil consertar.

Então abracem a gramática e tentem pegar gosto por estudar a língua.

Falar corretamente nos dá mais prestígio, ajuda na autoestima e é um esforço que vale a pena.


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