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O Menino que Sonhava ser Médico | de Salvador para a Nova Zelândia

#5 Série Empreendedorismo na Nova Zelândia

É espetacular ouvir as histórias de pessoas, humanos como nós, com suas experiências, seus desafios e seus sonhos.

Esta matéria é parte da série, que busca compartilhar a experiência de vida e empreendedorismo dos brasileiros que vivem na Nova Zelândia.

Será que o empreendedorismo está na veia do brasileiro?

Neste episódio conversamos com Joatã de Souza. Não foi fácil, mas valeu a pena!

Enviamos algumas perguntas e ele conseguiu responder por meio de vários áudios durante o intervalo de seu plantão no hospital. E ainda de crédito, conseguimos sua participação no Gaea Podcast, nosso parceiro.

O menino de Salvador nos conta sua história.

História

Um pouco da história do menino Joatã

Jonata e Joata/ Arquivo pessoal.

Joatã nasceu em Salvador, Bahia. Ele e seu irmão gêmeo foram uma surpresa para os pais, primeiro porque torciam por uma menina e segundo, após o nascimento de seu irmão Jonatã, o médico suspeitou da barriga ainda alta e exclamou: Olha, parece que tem outra criança! Então nasceu o Joatã.

A condição da família não era boa e justamente quando seu pai perdeu o emprego foi que Joatã e seu irmão vieram ao mundo.

“Meu pai era soldador e trabalhou duro demais a vida inteira. Saía às cinco horas da manhã e voltava 11 horas da noite. Às vezes, acontecia de não saber se teria comida pra de tarde. Era uma situação muito apertada, mas graças a Deus nada faltou pra gente”, compartilha Joatã.

Filho de pais trabalhadores que ensinavam pelo exemplo, a honestidade e o trabalho.

“Quando era menino, o sonho da gente era crescer, ganhar dinheiro, estudar e ser alguma coisa na vida.”

Joatã e Jonatã/ Arquivo pessoal.

Brincar de Médico

“Eu sempre brinquei de ser médico, sempre quis ser médico. Mas isso era uma realidade fora da nossa probabilidade, totalmente fora da curva, porque a gente não tinha condição de nada, até para estudar. Então era muito difícil. E como menino, eu aproveitava o momento. Eu queria brincar, jogar bola. Então, meu pai nos disse: agora vocês vão ter que trabalhar comigo”.

Pais de Joatã.

“Meu pai mandava a gente buscar barra de ferro. Só quem já fez isso que sabe.
Arrastava as barras de ferro por 8 quilômetros, barras de 6 metros, cada um pegava 5 ou 6 barras e arrastava uns oito a dez quilômetros de um lugar para outro na cidade com trânsito e tráfego pesado”.
Na oficina do pai eles tinham que cortar a barra de ferro, lixar, soldar para construir portões e as grades. Meu pai sempre fez um trabalho bem feito”, diz Joatã.

A maioria dos seus colegas se tornaram traficantes e morreram. Ele e sua família eram muito envolvidos com a igreja. Segundo Joatã, foram as atividades do grupo Desbravadores da Igreja Adventista que os ajudaram a ter disciplina e os salvou de ter um fim igual de seus amigos. “Meu irmão e eu nunca nos envolvemos com drogas”.

Sair do Brasil

“Eu sempre, sempre quis sair do país, porque eu via a situação que estava. Lembro do que aconteceu na época do Collor de Mello e como ficou o Brasil. Eu já enxergava que não tinha saída, que eu tinha que sair do Brasil.”

Com 15 anos, querendo sair do Brasil e sem dinheiro. Joatã buscou maneiras de ajuntar dinheiro, uma delas foi vender lanches, o que deu muito certo. Infelizmente, naquele momento suas economias não puderem ser usadas para este fim, devido ao desemprego dos pais, ele acabou precisando sustentar a casa.

De 16 para 17 anos, com o trabalho de vender livros, sua meta era ter dinheiro para estudar, fazer o segundo grau e faculdade. Um dia se encontrou com o diretor e falou sobre seu desejo de estudar e suas habilidades de trabalho, pois poderia trocar o pagamento dos estudos por trabalho na instituição. O diretor rejeitou seu pedido.

Voltou a vender lanche com o objetivo de acumular dinheiro para sair do Brasil. A ideia inicial foi ir para a Itália, por causa da moeda ser mais forte. Mas seus planos foram frustrados e surgiu a Nova Zelândia no caminho.

Despedida um dia antes de Joatã viajar para a Nova Zelândia. Dia 6 de novembro de 2005. Arquivo pessoal.

Nova Zelândia

Joatã saiu da Bahia em 2005, com 20 anos de idade.

A história de sua viagem a Nova Zelândia, a oportunidade enganosa, seus desafios e dificuldades. E também alguns anjos que o ajudaram durante o caminho. Tudo isso, ele conta em um bate papo descontraído com Gaea Podcast neste Episódio especial Gaea – Empreendendo pelo mundo.

“Eu não sabia falar, não sabia me expressar em inglês, não conhecia a Nova Zelândia. A única coisa que eu conhecia da Nova Zelândia era na TV Colosso. Então,  meu nível de conhecimento sobre a Nova Zelândia era zero”, diz Joatã.

Estudar Medicina

Em 2010 já com a residência neozelandesa, Joatã conseguiu entrar no hospital de Nelson como instrumentista cirúrgico. “Um trabalho que você aprende na prática”, conta Joatã. Após 3 anos, decidiu estudar fisiologia, para em seguida fazer medicina.

“Antes de entrar na faculdade eu deveria terminar o ensino médio. Apesar que, aqui na Nova Zelândia não é obrigatório ter feito o ensino médio para entrar na faculdade, se você tiver mais de 25 anos, é necessário fazer um teste de aptidão”, diz Joatã.

Assim, ele terminou os dois anos que faltava para completar o ensino médio, fez teste de aptidão de inglês e começou a faculdade de fisiologia.

Durante os quatros anos, precisou parar a faculdade três vezes devido a problemas familiares.

Terminado o curso de fisiologia e pronto para ingressar na faculdade de medicina, para seu desapontamento e surpresa, Joatã não foi aceito em nenhuma instituição, salvo duas de fora da Nova Zelândia, uma delas com base na Nova Zelândia. Em 2021 ele iniciará seu tão sonhado curso de medicina.

Espírito Empreendedor para Realizar Sonhos

Em 2019, já pensando nos pagamentos anuais de aproximadamente $35 mil dólares. Joatã pensou em um negócio para ajudar financeiramente seu curso e a família. Surgiu a Best Bites Finger Food. O negócio de lanche já estava na família desde criança. Compraram as máquinas para o preparo dos salgados e atendem a cidade de Auckland e também enviam congelados a várias outras cidades da Nova Zelândia.

Desafios durante a quarentena

Os desafios durante o período de quarentena na Nova Zelândia, ele conta no Podcast GaeaEmpreendendo pelo mundo, se ainda não ouviu, vale muito a pena! Joatã deixa até uma dica sobre o que tem de especial em suas receitas 😉

Sonho de Doce de Leite
Pão de Queijo.
Requeijão Cremoso

“Em breve estaremos com um espaço físico. O dinheiro do negócio é para pagar a minha faculdade e a do meu irmão gêmeo, que irá iniciar a faculdade de medicina no Paraguai. Eu aqui e ele lá, correndo atrás de nossos sonhos”, diz Joatã.

Best Bites Finger Food

“Surpreenda-se com o Sabor do Melhor do Brasil”
Contato:
+64 021 263 2589
Site Best Bites Finger Food
Instagram @bestbitesfingerfood
Fanpage @bestbitesfingerfoodnz

=> Dica para Empreendedores: Converse com a sua Audiência.

Ninguém quer saber mais de uma empresa que só quer vender. Em tempos de internet, a comunicação tem duas vias: a de quem anuncia e a de quem compra, é muito importante ouvir seu cliente e saber como ele está se sentindo em relação a sua empresa e ao mundo.

Flora MariaFlox Design

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4 Comentários

  1. Família de guerreiros!!
    Se eu já os admirava, conhecendo o trabalho e a vida honrada que levavam em Salvador, agora então os admiro mais ainda!
    Que Deus continue abençoando essa amada família!
    Forte abraço.
    Roosevelt Reis

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