ImigraçãoNova Zelândia

O desafio da Imigração e a depressão

By Psicóloga Caroline Petschow

No poema épico de Homero, provavelmente escrito no século 8 a.C., Ulisses é consumido pelo choro, lamento e tristeza enquanto vive a sua saga de quase duas décadas de volta a Ítaca, na Grécia, após lutar na Guerra.

Depressão

Começo este texto com a citação acima, pois ilustra uma das maiores dificuldades atuais de deslocamento e imigração, sendo este um importante problema de saúde mental, a depressão tem sido objeto de diversos estudos, havendo algumas evidências que pode ter raízes genética e bioquímicas, uma vez que alterações no funcionamento da serotonina e norepinefrina no cérebro desempenham um papel nesta patologia.

No entanto, estas não são as únicas causas para o desenvolvimento de uma depressão. As condições de vida, a família, o sentimento de incapacidade para alterar o meio envolvente, são fatores potenciadores da depressão desde que persistam durante meses ou mesmo anos.

Certos tipos de personalidade assim como fatores hereditários, predispõem o indivíduo tanto para a depressão como para outros tipos de perturbações mentais, tendo-se verificado como traço mais frequente a dependência interpessoal (Baldwin, 2003, p. 22).

Os deslocamentos atuais, costumam seguir uma lógica de buscar uma qualidade de vida melhor, buscar por empregos, oportunidades de estudos e desenvolvimento pessoal. O choque cultural é um dos fatores que a maioria dos emigrantes não leva em consideração no momento da partida e que podem influenciar o seu sucesso ou o seu desapontamento no novo país. Situações essas que podem tornar-se incontrolável e acabar numa depressão de maior ou menor amplitude.

A  decisão de morar fora é um importante trabalho de autoconhecimento

Para que o individuo possa reconhecer em si as suas particularidades, características, modos operantes de defesa e até mesmo o desejo de morar fora, é necessário analisar se o investimento deste sonho é de fato agregador para a historia de vida e não apenas um item a mais para o currículo. A busca externa não pode nunca compensar a busca interna, o apoio da família é de extrema importância, mas não pode ser uma cobrança.

Um dos grandes desafios de quem decide morar fora ainda que temporariamente é se ver em uma situação de estrangeiro, sendo assim:

  • você não é um deles
  • não está inscrito na cultura
  • alguns momentos idealizando seu passado
  • negando os motivos de saída e a realidade do novo país
  • negando a própria origem
  • fazendo um esforço para adaptação
  • idealizando o novo país

Ou por fim construindo uma terceira posição que realize um trabalho de luto da própria origem, que considere perdas e ganhos, assumindo a escolha de deixar um lugar e viver em outro, efetivamente um pertencimento.

Aqueles que escolhem se deslocar buscam ampliar horizontes ou mesmo romper apegos e estilos de vida estagnados. Mudanças são quase sempre estressantes pois nos tiram da chamada Zona de conforto, mudanças implicam em fazer escolhas e essas significam sempre perder algo, no caso dos imigrantes significa também se desfazer de laços, vínculos e com os espaços em que a pessoa se reconhece.


De acordo com DELLA PASQUA e DAL MOLIN (2009) existem sete tipos de luto no processo de migração: Luto da família e amigos, da língua, da terra, da cultura, do status social, do grupo de pertencimento e dos riscos para a integridade física.


O luto

A mudança de país consiste em varias perdas e isso exige um processo de luto, lembrando que o luto é uma reação a perda, após o reconhecimento da perda que o sujeito consegue reformular algo que faça sentido para ele mesmo, a saúde mental pode ser determinante para a forma de como vivenciar e significar uma experiencia tão rica quanto a de morar fora. “Se você não se sente em casa dentro do seu corpo, nunca se sentira em casa dentro do mundo” ( Harari 2018).

Minha história

Falando um pouco sobre minha historia, meu nome é Caroline sou formada em psicologia desde 2010. Em 2017, resolvemos mudar de vida, a empresa em que meu marido trabalhava fez um plano de demissão voluntaria e vimos a oportunidade de mudança, eu havia acabado de descobrir que estava grávida e tínhamos uma vida estável, porém estávamos buscando por mudanças e essa era a oportunidade. Ele estava nesta empresa por 22 anos e eu estava na mesma empresa por 15 anos, decidimos em um primeiro momento ir para os EUA, ele como estudante, porem tivemos nossos vistos negados, resolvemos fazer uma segunda tentativa afinal era nosso sonho, mas novamente os vistos foram negados.

Então resolvemos rever nossos projetos e a Nova Zelândia poderia ser uma boa opção, como eu estava grávida decidimos que ele viria primeiro como estudante de business  e eu viria depois com as crianças, meu filho de 11 anos e a bebe que havia recém nascido, ele veio em Maio de 2018, mesmo sabendo de todos os desafios que iriamos enfrentar ele passou por todo o processo de luto, sentiu vontade de desistir por diversas vezes, foram diversas  conversas. Eu e as crianças viemos em dezembro do mesmo ano, eu sem falar uma palavra em inglês e disposta a recomeçar uma nova vida, estamos na batalha aqui ainda, sempre revendo e refazendo nossos projetos, ele acabou de finalize o curso, eu estou estudando inglês pois é ainda uma grande barreira para mim aqui e agora estamos para aplicar um novo visto para ficar mais um período por aqui, durante este tempo aqui estou aprendendo na prática a psicologia, essa experiencia esta sendo muito significativa para mim.


Este artigo foi útil? deixe um comentário.

Etiquetas
Mostrar mais

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fechar