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Mariana Melo, a busca por um trabalho com propósito

Ajudando imigrantes brasileiros em transição de carreira

Quando falamos sobre imigração, muitas vezes associamos a frase “começar a vida do zero” em outro país.
Um número menor de imigrantes iniciam sua jornada atuando em sua carreira profissional. Muitos colocam sua fé na saga de retroceder para depois crescer.

O que seria isso? Profissionais formados, com muita experiência decidem estudar, para no pós estudos encontrar um trabalho relacionado a sua área.

Como parte desta realidade, muitos brasileiros passam anos trabalhando em algo que não querem para suas vidas.

A entrevistada de hoje, Mariana Melo, tem por missão ajudar os brasileiros em sua transição de carreira, na busca de um trabalho com propósito.

Mariana acredita que realização profissional no exterior é possível.

Mariana nos conte sobre sua vida no Brasil

“Sou de BH, meus pais são aposentados pela Caixa Econômica e cresci em uma família de classe média onde todos batalharam muito para garantir alguma segurança e nos dar uma educação de qualidade.

Tenho um irmão que é 1 ano mais novo do que eu, e lá em casa ele sempre foi o irmão comportado, estudioso, dedicado, e construiu uma carreira de muito sucesso e com muito esforço como engenheiro ambiental, e hoje tem um excelente cargo na Vale.

Já eu, sempre fui a rebelde, a do contra, a “revoltada”.

Nunca fui de seguir regras impostas (mesmo sendo Capricorniana), e me jogava de cabeça no que dava na telha. Fiz muitas loucuras e passei grande parte da minha adolescência de castigo.

Minha mãe se aposentou pela Caixa e foi exercer a profissão de psicóloga, se aprofundando an Antroposofia e Psico-oncologia. Meu pai se casou novamente e nos deu uma irmãzinha, a minha afilhada Paola.”

E a sua vida profissional no Brasil

“Antes de vir para a NZ, eu comecei faculdade de Nutrição, mas não gostei e larguei. Achei bem chato.

Depois disso, entrei para a faculdade de Educação Física e comecei a trabalhar em academia e a dar aulas de RPM, que são as aulas de spinning da Les Mills, que por sinal, é Neozelandesa.

Nessa época eu tinha apenas 21, 22 anos e tinha muita energia!

Eu ainda não sabia se esse era realmente o caminho profissional que eu queria seguir, afinal, chegava a exaustão de tantas aulas de RPM que dava – já cheguei a dar 6 aulas por dia! E quando olhava para os meus superiores no trabalho, não me sentia nem um pouco inspirada a seguir o mesmo caminho.

Aliás, se tem uma coisa que você precisa saber sobre mim é que eu desconheço o “meio termo”. Ou estou obcecada por algo, ou estou totalmente desinteressada.

Ou estou totalmente dentro, ou nem percebo que aquilo existe. Até hoje vivo nessa batalha de aprender a fazer um pouco de cada vez e sempre falo que não existe fogo morno (ascendente em Áries). Me levou à exaustão com frequência. Mas enfim, eu estava feliz, amava minhas aulas, gostava da faculdade e gastava todo o meu suado (literalmente suado) dinheirinho em festas.”

Como foi a decisão de sair do Brasil e por que a Nova Zelândia?

“Acho que o universo veio me dando algumas dicas suaves aos poucos, e eu ignorei.

Primeiro veio o meu encanto pelas aulas da Les Mills e um enorme interesse pelo pouco da cultura Maori que aprendemos nos cursos de RPM. Inclusive a logo na época era a Silver Fern – todas as minhas roupas de bike tinham a Silver Fern! Mas esse interesse não foi o suficiente para eu querer me mudar, continuei minha vidinha.

Durante esse tempo, vários amigos vieram para a Nova Zelândia para estudar inglês, trabalhar em fazendas etc.

Um deles era muito próximo, e sempre me chamava para vir e minha resposta era sempre a mesma “quem sabe um dia”, mas no fundo no fundo, não pensava em ir.”

A família sendo perseguida

Até que em um belo dia, foi como se eu tivesse amanhecido dentro de um filme de terror. Minha mãe ainda gerente de banco na época (hoje aposentada, graças a Deus!), e nós descobrimos que estávamos sendo seguidos por uma quadrilha de sequestradores, desses que sequestram a família para forçar o gerente a abrir o cofre do banco.

“Do dia pra noite nossa vida virou do avesso. Não podíamos mais sair de casa sem um guarda costas do banco. Para todo canto que olhávamos, víamos claramente que estávamos sendo seguidos e nos deparamos com a fragilidade da vida – para mim, pela primeira vez.”

No meio dessa confusão, contei para meu amigo que estava aqui na NZ o que estava acontecendo, e quando ele disse “vem pra cá”, não pensei duas vezes. Isso foi em 2005. Em poucas semanas larguei a faculdade, saí do meu emprego, tirei o passaporte e comprei a passagem.

Deixando o Brasil e chegando na NZ

“Eu não sabia NADA da Nova Zelândia, a não ser sobre a Silver Fern e o Hongi, cumprimento Maori que usávamos nos treinamentos da Les Mills. Não fazia a menor ideia de como era o estilo de vida, das belezas naturais, das maravilhosas montanhas e lagos, nada!

Só sabia que precisava fugir do Brasil rápido, que minha vida estava em risco, que aqui não precisava de visto pra entrar e que quando chegasse poderia tentar trabalhar em fazendas de kiwi.

Empacotei minhas malas e vim. Eu sabia que estava aterrissando em uma cidade chamada Auckland, e que de lá iria para uma outra cidade chamada Tauranga.

Mariana em Coromandel. Foto: arquivo pessoal.

Tauranga e Queenstown

Fiquei pouco tempo em Tauranga, quando alguns conhecidos que moravam em Queenstown me disseram que em Queenstown eles davam um tal de Work Permit, que me daria o direito de trabalhar. Resolvi descer pra Queenstown do dia para a noite, peguei meu carrinho furreca de $500 dólares, cheguei na cidade à meia noite sem saber nada (com mapa – não tinha smartphone naquela época).

Como estava escuro, só vi alguns bares, mas fui direto para a casa dos meus conhecidos para dormir, que era em Fernhill. Quando acordei no dia seguinte e fui lá fora pegar roupas no carro, não acreditei no que vi. Nunca vou esquecer esse sentimento, fico emocionada de lembrar. Nunca pensei que existisse um lugar tão maravilhoso! Fiquei em choque, em êxtase. Não sabia dos lagos e montanhas, só sabia que tinha emprego e que dava o tal do Work Permit, estava em modo de sobrevivência.”

Quais foram os desafios profissionais iniciais na Nova Zelândia?

Como a grande maioria dos imigrantes, eu cheguei aqui aceitando qualquer tipo de emprego que aceitasse meu nível de inglês, que pagasse as contas e que desse o visto de trabalho.

Por 2 anos trabalhei em fazenda, como camareira e garçonete. Durante estes 2 anos eu não me importei e trabalhava com qualquer coisa. Pra mim, era tudo uma grande experiência e aventura, apesar de sentir um certo sentimento de inferioridade por não ter inglês fluente.

Me lembro que preferia trabalhar de garçonete e em cafés, justamente por ter a oportunidade de desenvolver o inglês, enquanto como camareira eu sentia que não me desenvolvia, especialmente por sermos muitos brasileiros no hotel e sempre conversarmos em português. Mesmo assim, o hotel me dava o Work Permit.”

Nos conte sobre o momento de voltar para o Brasil, o que te levou a tomar esta decisão?

“Depois de 2 anos trabalhando com o que dava, resolvi que eu não queria mais que a NZ fosse apenas uma experiência passageira, resolvi que queria morar aqui.

Foi aí que comecei minha investigação sobre o visto de residência e descobri que eu não tinha os pontos para poder conseguir o visto pois não tinha terminado a faculdade, e não tinha condições financeiras de pagar uma faculdade aqui.”

Mariana com minhas grandes amigas Nanda e Ana aqui em New Plymouth/ Foto: arquivo pessoal.

Voltar para o Brasil e estudar

“Então cheguei à conclusão de que, se eu queria realmente morar aqui, eu teria então que voltar para o Brasil e me formar em alguma coisa que fosse me dar pontos aqui. Qualquer coisa! O objetivo era voltar.

Arrumei minhas malas e voltei para o Brasil, já sabendo que assim que me formasse, voltaria para a NZ.
Meus amigos daqui duvidavam, diziam que eu não voltaria mais.

Quando cheguei no Brasil, fiquei sabendo que já existia um tal de curso de Tecnólogo, e que a formação durava apenas 2 anos ao invés de 4. Fiquei pensando sobre o que estudar e resolvi estudar Gestão de Turismo, pois morando em Queenstown pensei que fosse uma área com bastante mercado na NZ.

Nesses 2 anos que fiquei estudando no Brasil, eu estudei à noite para poder adquirir experiência profissional durante o dia. Durante 1 ano trabalhei como recepcionista de hotel, e por 1 ano trabalhei em uma agência de intercâmbio. Me formei em fevereiro de 2010, em Março eu estava de volta na NZ!”

Como criar um plano profissional, a ajudou atingir seu objetivo de obter a visto de residência na Nova Zelândia?

Foto: arquivo pessoal.

“Como comentei anteriormente, eu sabia muito claramente que queria morar aqui e também sabia que não tinha pontos suficientes pra poder conseguir a residência. Na minha cabeça, eu estava buscando o caminho mais curto, e que me desse mais chances.

Depois de pesquisar bastante sobre o visto, eu descobri que eu precisaria trabalhar por 3 anos em um cargo de gerência dentro da minha área de formação – no caso, o Turismo – para que eu tivesse os pontos suficientes.

A minha meta era clara e fixa: morar na Nova Zelândia. Eu não tinha plano B. Não dar certo não era uma opção.

Foi neste momento que, ao contrário da minha natureza impulsiva, tive que fazer um plano de longo prazo: entrar na recepção de um hotel, conseguir um cargo de gerência, ficar no cargo por 3 anos, e aplicar o visto.

Foi a minha primeira grande jornada Capricorniana (inclusive, na Antroposofia nós aprendemos que o nosso Eu chega no nosso corpo nesse período entre os 21 e os 28 anos, e traz consigo a força do nosso signo solar).

Não foi fácil, tinha medo de não conseguir, de o sacrifício ser em vão, tinha medo de a lei mudar, vivia em uma frustração enorme por ter que pensar a logo prazo, mas não fazer esse planejamento significaria voltar para o Brasil, o que definitivamente não era uma opção.”

“A jornada é suada, mas a única outra opção seria não fazer.” Mariana 

“Fiz tudo o que pude, consegui o cargo de gerência, fiquei por 3 anos, apliquei para o visto de residência que por pouco não foi negado, mas NUNCA pensei em desistir. Enquanto não recebia um NÃO, o SIM ainda era possível.

Muitas pessoas, amigos e companheiros de jornada, ficaram pelo caminho. Desistiram, voltaram para o Brasil. Mas eu tinha um foco e não estava disposta a mudá-lo, e ter um planejamento foi exatamente o que me deu a chance de conseguir o que realmente queria. Eu sabia que não podia esperar o visto cair do céu.”

Nos conte sobre a escolha da sua carreira hoje.

“Em 2014 finalmente recebi o visto de residência, e isso pra mim foi um grito de liberdade! Até então, eu havia trabalhado com um objetivo único de conseguir o visto, agora eu estava livre para fazer o que quisesse profissionalmente.

“E foi aí que uma outra grande crise se instalou: agora posso fazer o que quiser, mas eu não sei o que quero.”

Foi um período de investigação interna intenso, mas uma investigação que me levou ao mundo do desenvolvimento humano.

Me apaixonei por Life Coaching, Hipnose, assistia horas e horas de entrevistas inspiradoras do Jonathan Fields, e através dessas entrevistas fui conhecendo várias atividades relacionadas ao desenvolvimento humano.

Investir para se encontrar

Investi todo o meu tempo, energia e dinheiro em cursos. Estudei Life Coaching, Hypnoabundance, EFT Tapping, e essa investigação acabou me levando à duas grandes paixões: a Antroposofia e a Astrologia. Estudei muito e comecei a atender como Life Coach e Astróloga, mas tem de ter um foco, ou um nicho.

Fazendo cursos e mentorias de negócios, cheguei à conclusão que QUEM eu realmente queria ajudar eram outros imigrantes.

Vivenciar para se descobrir

Me confundi, me perdi, pensei que quisesse trabalhar com “coaching intercultural” e ajudar as pessoas a se adaptarem à outras culturas. Logo vi que não era bem isso. Uma mentora de negócios me disse para eu começar a prestar atenção em quais eram os atendimentos que eu mais gostava de fazer, e depois observar o que estes atendimentos tinham em comum.

Depois dessa observação, a resposta foi óbvia. Entendi que o meu “cliente ideal” não eram todos os imigrantes, mas eram aqueles que tinham um foco na carreira e que não se conformavam em trabalhar com qualquer coisa que pagasse as contas.
Eles queriam se reinventar profissionalmente, no exterior! Mas não queriam qualquer trabalho, queriam criar um trabalho que fosse mais alinhado com quem são na essência, e que sirva a um propósito maior.

Essas eram as sessões que eu AMAVA! Resolvi então fazer uma especialização em Coaching de Carreira, Astrologia Vocacional e aprendi a usar as leis biográficas de desenvolvimento humano da Antroposofia na criação de um trabalho que faça sentido.

Eu acredito que a realização profissional no exterior é POSSÍVEL,

e que a vida é muito curta para trabalharmos 40 horas da nossa semana apenas por um salário. As pessoas que chegam até mim acreditam no mesmo, e seguimos juntos nessa construção de um trabalho com mais propósito.

Mariana e Scott. Foto: arquivo pessoal.

Hoje moro em New Plymouth, Taranaki, tenho um “namorido” lindo do País de Gales, o Scott (diferença cultural dentro de casa – temos também!) e faço o que eu amo à noite e nos finais de semana. O caminho de desenvolvimento humano na busca de um trabalho com propósito, é o meu caminho.

Mariana Melo

Contato
Instagram @mariana.melo.nz
Facebook @mariana.c.melo.3
Web site www.mariana-melo.com
Whatsapp profissional: +64 21440294

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