Comunidade

LAÇOS FORA DO BRASIL | A importância do apoio da comunidade brasileira na vida do imigrante

Por Rafaella Oliveira Melo

Eu estava saindo do aeroporto de Aracaju, na capital sergipana, cidade onde nasci e cresci, para embarcar na maior aventura da minha vida, uma mudança de país, do outro lado do mundo, com uma cultura tão distinta. Muitos medos e inseguranças sobre o que iríamos encontrar na Nova Zelândia, mas ao mesmo tempo uma excitação pertinente à realização de um sonho. Já na fila de embarque, recebo uma mensagem que me deixou surpresa: “Olá, tudo bom? Se precisarem de algo na chegada em Invercargill é só falar. No dia 08 trabalho, mas a minha esposa pode ajudá-los”. Era uma mensagem do Marcos Almeida, ele, a esposa Roberta Araújo e o pequeno Peu já moravam na cidade há 4 meses e foram incrivelmente solícitos. Nos deram apoio, informações e até ofereceram carona e dicas no primeiro supermercado. Ali, na fila de embarque, com o celular na mão, ainda sem acreditar muito naquela atitude tão gentil, eu já começava a ter uma ideia do que me esperava.

Rafaella/ Arquivo pessoal

Uma comunidade brasileira cheia de pessoas dispostas a ajudar, a facilitar o seu início e a te fazer se sentir mais pertinho do país de origem. Enquanto eu e meu marido ainda estávamos nos estabelecendo e tentando entender a rotina local, eis que bate à porta a primeira das (muitas) visitas que recebemos. Zoraia Moreira foi sem dúvida alguém que nos encheu de afeição, revelando vários detalhes do que fazer na cidade, como economizar, onde procurar emprego e tudo mais que poderíamos precisar naquele momento. Depois, mais e mais pessoas foram chegando e deixando o seu carinho conosco. Lembro-me da situação em que o casal Silas e Faryal Rosa tentou ir ao nosso apartamento algumas vezes para nos dar boas-vindas, mas nunca estávamos em casa. Foi então, que eles entraram em contato para saber onde poderiam nos encontrar e foram atrás de nós no Queenspark. Tudo isso para nos levarem uma latinha de biscoitos finos como presente de recepção. Achei aquela atitude muito delicada e atenciosa.

A nossa história com a receptividade dos brasileiros aqui em Invercargill segue com convites para passeios, viagens e suporte pessoal e emocional todas às vezes que precisamos. Posso rememorar as mais variadas situações que vivemos com as novas amizades. Desde alguém (Bruna Hott) que nunca dirigiu o carro em quase dois anos morando aqui e decidiu dirigir pela primeira vez, sozinha em plena noite, somente para me fazer um favor, até quem perdeu um dia de trabalho (Felipe Ribas) e ainda usou a cota do próprio seguro do carro para me salvar de um perrengue.

É fato que nem em todo lugar o imigrante vai encontrar uma comunidade assim tão unida. Considero-me alguém de muita sorte por ter vindo parar exatamente nesta cidade, com essas pessoas tão incríveis (não citei nem metade dos nomes dos amigos aqui). Mas certamente semelhante atrai semelhante, então é importante que você esteja aberto para se relacionar com os seus compatriotas e com todos que lhe cercam. Enquanto alguns dizem que não é positivo fazer amizade com brasileiros durante um intercâmbio, eu apenas digo que é esta comunidade que faz com que a distância de casa não seja tão grande, são eles – os brasileiros – a minha rocha segura num país estranho.

Rafaella Melo

Rafaella Oliveira Melo é jornalista e mora na Nova Zelândia há 6 meses, onde apresenta um programa de rádio chamado Conexão SulAmérica (rádio Southland, 96.4FM) para a comunidade brasileira na Ilha Sul. Ela tem ainda um projeto no instagram @jornalistarafaella chamado NZ PRA VOCÊ, lá no IGTV, a jornalista compartilha suas experiências e dicas para outros brasileiros.

Se você mora na Nova Zelândia, nos conte como foi a experiência durante sua chegada no país.

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