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COVID-19: mercado de trabalho é 1.8 vezes mais vulnerável para mulheres

Estudo aponta que pode levar até 2 anos para estabilizar a jornada de trabalho das mulheres no pós-crise

O ano de 2020 vai ficar marcado na história da humanidade como um ano em que (quase) o mundo inteiro parou diante do avanço devastador causado pela Covid-19. Um estudo feito pelo McKensey Global Institute aponta que as mulheres estão 1.8 vezes mais vulneráveis que os homens no mercado de trabalho durante a pandemia  justamente por causa de todo o cenário de desigualdade já existente.     

Atuação da mulher no mercado de trabalho pode levar até 2 anos para se reestruturar, 1 ano a mais do que o previsto para os homens

Outro dado trazido pela pesquisa mostra que a atuação da mulher no mercado de trabalho pode levar até 2 anos para se reestruturar, 1 ano a mais do que o previsto para os homens. 

Isso representa um retrocesso enorme no avanço que vínhamos tendo, além de causar ainda mais impactos na economia. As mulheres representam 39% da população com empregos no mundo, enquanto já somam 54% do total de pessoas que perderam seus trabalhos durante a crise da pandemia.

Crise global supera Grade Depressão

Apesar de a vacina trazer uma atmosfera mais branda e positiva para o cenário econômico mundial, o Fundo Monetário Internacional projeta um crescimento de apenas 5.5% em 2021, seguido por uma projeção ainda menor em 2022 com 4.2%. A projeção é de uma perda de US $9 trilhões no acumulado entre 2020 e 2021, pior regressão global desde a Grande Depressão de 1929, e bem maior do que a crise de 2009.

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Vulnerabilidade e instabilidade econômica

Apesar de a crise ser sentida em todos os setores e classes sociais, são as minorias as mais afetadas diretamente pelo recuo econômico. As mulheres, embora sejam maioria na força de trabalho essencial durante a crise, com atuação na área da saúde, ainda somos minorias e sofremos mais com impactos econômicos.

Mulheres estão 1.8 vezes mais vulneráveis que os homens no mercado de trabalho durante a pandemia

Em um cenário de crise, o fato de a mulher receber um salário menor faz dela o principal alvo de “escolha” na hora de decidir quem vai largar o emprego para cuidar do filho, já que a escola não está funcionando; ou quem vai assumir o cuidado com os idosos, por exemplo. 

Não estou falando aqui de uma escolha consciente sobre ficar em casa e assumir esse papel doméstico, minha reflexão está calcada no fato de isso ser uma necessidade. Se, em um mundo ideal, mulheres e homens já estivessem ocupando o mesmo lugar no mercado de trabalho, sem desigualdade salarial de gênero, será que veríamos tantas mulheres perdendo seus empregos durante uma pandemia?

Macroeconomia e projeções para 2021

O último relatório do World Economic Outlook, feito pelo FMI, aponta um crescimento de 5.9% para a Nova Zelândia agora em 2021. Já o Brasil deve crescer apenas 2.9%. Entender esse cenário é fundamental para que a gente consiga enxergar o que acontece em escala menor, dentro do mercado de trabalho. Uma desaceleracao na economia da Nova Zelândia pode afetar a oferta de emprego e trazer competitividade ao mercado de trabalho, assim como aconteceu logo no inicio da pandemia.

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Agir agora pode reduzir prejuízo global até 2030

É importante que os governos trabalhem ações que possam reduzir a taxa de desemprego entre as mulheres e trabalhem incentivos que contribuam para a redução da desigualdade salarial, pois de acordo com a pesquisa do Instituto McKensey aponta que com a mulher bem inserida na economia, há uma possibilidade de acrescentar até US $13 trilhões ao PIB global até 2030 caso algo fosse feito já durante a crise. No entanto, se os cuidados dos estragos forem feitos apenas no pós-crise, ainda que seja bem feito, pode ter um impacto de apenas US $5 trilhões ao PIB global em 2030.

Garantir igualdade para sair da crise

O levantamento aponta que a mensagem mais importante a ser entendida a partir de toda a pesquisa, é justamente o fato de que quanto mais os governos e os empregadores contribuírem para a equidade salarial entre mulheres e homens, maior vai ser o benefício econômico para o país. 

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Flávia Bonturi Previato

Mulher, mãe, jornalista e educadora.

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