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Futuro incerto na Nova Zelândia, pois o visto foi negado a sua filha de 10 anos

Flavio Galvão trouxe sua família para a Nova Zelândia há quatro anos para uma vida melhor do que a que tinham no Brasil.

Agora, eles enfrentam serem forçados a voltar para o Brasil, pois sua filha de 10 anos teve o visto negado. Ela é considerada um fardo muito grande para o sistema de saúde neozelandesa.

Micaela Galvão, foi diagnosticada com autismo moderado aos 3 anos de idade. Ela frequenta uma escola regular na costa norte de Auckland e atualmente não requer apoio adicional do Ministério da Educação.

Avaliações e Rejeição

Quando a família se candidatou ao visto de trabalho e residência (work to residence visa) em 2020, o autismo de Micaela levantou uma bandeira vermelha.

Avaliações e cartas de referência foram enviadas para a Imigração da Nova Zelândia (INZ) conforme solicitado.

Mas em 16 de abril de 2021, o INZ disse que havia concluído sua avaliação final da saúde de Micaela, concluiu que não era um padrão aceitável para a Nova Zelândia.

Os médicos avaliadores consideraram todas as informações fornecidas e determinaram “novamente” que Micaela provavelmente imporá custos ou demandas significativas aos serviços de saúde ou de educação especial da Nova Zelândia.

Por causa da Covid-19, seu visto de estudante original foi prorrogado até janeiro de 2022.

A rejeição devastou a família Galvão que agora consideram a Nova Zelândia seu lar.

“Temos permissão para ficar na Nova Zelândia, mas [Micaela] não é bem-vinda. Isso é um absurdo, é injusto. Eu realmente acredito que este é um caso de discriminação contra pessoas nascidas com uma condição”, disse Flavio Galvão.

Em uma carta de referência, um psiquiatra na área infantil e adolescente disse que a preocupação do INZ parecia “exagerada”.

”Micaela tem um diagnóstico estabelecido de transtorno do espectro do autismo, mas não está claro para mim se ela tem uma deficiência intelectual”, disse ele.

Eu não sou fardo! Eu sou uma grande benção.

Carta do diretor da escola

Uma carta do diretor da escola de Micaela disse que Micaela precisava de apoio adicional quando começou na escola, mas suas necessidades diminuíram muito desde então.

 Também afirmou que Micaela é amplamente independente na sala de aula e no ambiente escolar. Ela avançou muito em suas interações sociais, faz perguntas a outras pessoas e inicia conversas com colegas e adultos, disse a carta.

Galvão disse que sua família estava “presa no limbo” e ele não queria chegar ao final do ano e dizer a Micaela que eles tinham que deixar a Nova Zelândia.

Nós insistimos [em ficar] na Nova Zelândia por minha filha. Tenho pena dos destroços que isso pode causar na cabeça dela se ela voltar para o Brasil. Para mim, essa lei é absurda.Flavio Galvão

 

Protestos na capital da Nova Zelândia

Foto do Facebook da Graziela Galvão.

Flávio foi convidado a participar de um protesto em favor dos direitos dos imigrantes.

A intenção dos protestantes era de chamar a atenção da Primeira Ministra que estava num evento no prédio próximo ao local da manifestação.

Flávio teve a palavra e contou sua história, as pessoas ficaram revoltadas com o fato de Micaela não ser aceita na Nova Zelândia por ser autista, um deles gritaram : “ Que vergonha, Ministra!!”

“Quando passamos pra ir embora pessoas comovidas pela nossa situação nos desejaram boa sorte. Foi um momento único e emocionante”, conta Graziela.

Visto de estudo sim, mas residência não

O gerente geral de operações de fronteira e vistos, Nicola Hogg, disse que o INZ simpatizou com a família Galvão e entendeu sua decepção com a recente decisão.

Os pais apresentaram e obtiveram visto de residência para trabalho e fizeram o pedido de visto de estudante para Micaela no dia 19 de maio de 2020.

Esta aplicação foi avaliada em relação às instruções de residência, uma vez que estavam a candidatar-se a um visto como dependente de trabalho para detentores de visto de residência. Com base nas informações fornecidas, o INZ determinou que Micaela não atendia aos requisitos de saúde para um visto de estudante de acordo com as instruções de residência. ”

Hogg disse que a família havia apresentado um pedido de intervenção ministerial e que estava sendo considerado.

A família criou uma petição online ao ministro da Imigração, Kris Faafoi, para que seu caso fosse reconsiderado.

“Quero lutar até o fim”.Flavio

Ligação

Lia Santos em uma ligação com a Graziela Galvão, recebe informações sobre sua história e desafios para continuar na Nova Zelândia.

Graziela fala sobre a tristeza e indignação que estão sentido a respeito da rejeição ao visto de residência da Micaela. Como mãe, perceber que sua filha não é bem vinda a morar neste país é uma dor sem igual.

“Para que ficar em um lugar onde sua filha é taxada como fardo”, diz Graziela.

Após sua história ter sido publicada no site local chamado Stuff, a família foi convidada a participar de protestos.

Graziela diz que não tinha ideia de quantos imigrantes estão lutando para ficar no país ou para conseguir trazer parte da família que não puderam voltar devido o fechamento das fronteiras.

“A imigração está com um acúmulo de casos e aplicações, de imigrantes no país e fora dele (…), nós estamos aqui (Nova Zelândia) trabalhando, contribuindo com a economia, precisamos protestar, criar petições para de alguma forma nos fazer ouvir, esperançosos que uma resposta positiva venha a qualquer momento.

O pais sabem que uma mudança de país acarretará em uma desordem emocional para sua filha, onde a menina  reconhece o país como seu lar, onde vai a escola, entende o idioma falado e se sente segura.

Ajude a família assinando a petição.

Assine agora!

 

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