ImigraçãoNova Zelândia

Família Simmelink Tedeschi

Separados pelo mar, pelo Covid-19 e pela burocracia imigratória da Nova Zelândia

Carta do Patrick para a redação do Brasil News.

Você vai compreender o que levou esta família a permanecer separados por mais de um ano.

“Em 2019 recebi uma oferta de trabalho para atuar na Nova Zelândia.
Minha esposa e eu sempre desejamos morar fora do país e vimos a oferta como uma excelente oportunidade principalmente pelo fato de nosso filho ainda ser pequeno e poder tirar proveito do contato com o Inglês desde cedo.

Cada um de nós estava trabalhando há mais de 15 anos, em empresas diferentes, no setor de tecnologia. Aceitamos a oferta e pedimos desligamento de nossos trabalhos.

Nos meses seguintes foi aquela correria… Vendemos tudo o que podíamos. Nos desfizemos de nossa casa e carro.

Para evitar qualquer tipo de desconforto e estresse para nosso filho, decidimos que eu viria primeiro para resolver as coisas e encontrar e preparar um lar para nossa família. O plano era nos encontrarmos novamente nos meses seguintes. Por isso, somente demos entrada no meu visto, uma vez que após a concessão, você precisa entrar na Nova Zelândia em até 3 meses.”

Nova Zelândia

“Embarquei no 1º dia de 2020. Naquele momento, eu estava vindo para a Nova Zelândia com o coração apertado, mas cheio de esperança e planos para nós.

Chegando aqui, tudo ocorreu mais fácil do que eu esperava. O trabalho era excelente. Os colegas de trabalho muito amigáveis. Não demorou muito para conseguirmos alugar uma casa para vivermos. Investimos tudo o que tínhamos comprando carro e mobiliando nossa casa. Era hora de colocar o plano em ação e reunir a nossa família.

Após separar e traduzir todos os documentos e comprovações necessárias e preencher os formulários eletrônicos, só faltava uma última etapa: as consultas e exames médicos que já estavam agendados para o dia 20 de Março de 2020.”

Covid-19

“Infelizmente, o COVID-19 veio e mudou nossos planos. No dia 19 de Março de 2020 recebemos a notícia de que a Nova Zelândia estava fechando suas fronteiras para qualquer pessoa que não fosse cidadão ou residente permanente do país. Nossas consultas médicas foram canceladas.

Depois de um tempo a Nova Zelândia começou a abrir algumas exceções. Foi disponibilizada uma lista de motivos críticos pelos quais você poderia viajar para cá. Acreditei que podíamos usar a exceção de “Partners and dependent children of New Zealand work or student visa holders” ou até mesmo a “Humanitarian reasons”.

Fizemos 3 solicitações para o governo baseada nas exceções mencionadas acima. Todas negadas imediatamente. A resposta que recebemos é “We are not satisfied that you meet the criteria to be granted an exception to the current border closure”.

Procuramos a ajuda de “Immigration Advisors” e “Immigration Lawyers” mas não havia nada que pudesse ser feito.

No caminho conhecemos centenas de outras famílias na mesma situação, algumas brasileiras. Estamos nos unindo e tentando fazer nossa voz ser ouvida. Conseguimos também o apoio de alguns parlamentares que têm discursado a nosso favor. A mídia tem cada vez mais relatando nossas histórias. Infelizmente é muito papo, pouca ação e nenhum resultado.”

Protestos pacíficos pela NZ

“Há algum tempo temos tentado organizar protestos pacíficos para apontar o problema que temos enfrentado. Infelizmente os anteriores tiveram que ser cancelados devido as recentes mudanças de “COVID-19 alert levels”. Esperamos conseguir realizá-los nas próximas semanas. Em Auckland ocorrerá no próximo dia 27 de Março às 12 PM (Link) e em Wellington será no dia 06 de Abril às 12 PM. Se você conhece alguém nessa situação ou se solidariza pela nossa causa, participe e ajude-nos a divulgar.

Minha esposa e filho estão morando de favor na casa de familiares. Meu filho tinha 3 anos quando nos despedimos pela última vez. Hoje já tem 5. A distância está causando um impacto muito profundo em sua saúde emocional e mental, causando crises de ansiedade depressivas de tristeza profunda.

Após aproximadamente 450 dias separados, temos nosso futuro como incerto. Minha família não pode entrar. Se eu sair, não poderei voltar. O que você faria? Jogaria fora a chance de sua família ter uma vida melhor? Todo o dinheiro, tempo e esforço teriam sido em vão? Você sairia em uma posição pior do que quando chegou? Você ficaria? Continuaria assistindo seu filho e sua esposa através de uma tela de celular?

Enquanto esperamos, assistimos calados a equipes inteiras de cinema de Hollywood entrando na Nova Zelândia, seguidas por produções da Broadway, esportistas e mais de 1000 estrangeiros ligados à America ‘s Cup. Não parece justo.

Esperamos que a Nova Zelândia possa nos ouvir e praticar o seu discurso “Be Kind” para ajudar as famílias separadas a se reunirem!”

Atenciosamente,
Patrick

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