Nova Zelândia

Engravidei na NZ, e agora?

Em uma minissérie de três artigos, eu vou contar um pouco do processo que eu passei aqui e que pode ajudar as futuras gestantes

engravidei
Auckland, 2020 (Arquivo pessoal)

Engravidar, ainda que de forma planejada, sempre vem acompanhado de muitas dúvidas e expectativas e isso pode ser ainda mais significativo para as famílias que passam por isso morando fora do Brasil. Por isso eu vou contar por aqui como foi a minha experiência desde que engravidei na NZ até o pos-parto.

Quando surge aquela pulga atrás da orelha e a mulher sente que tem algo diferente acontecendo, a primeira coisa a fazer é um teste de farmácia. Se o seu teste der positivo, você vai precisar marcar uma consulta com o seu GP.

Primeiros passos e decisões 

A consulta com o GP (General Practitioner) é super importante, afinal é aí que você vai fazer um exame de sangue para confirmar a gravidez. Quando fiz minha consulta, o médico fez exame de sangue, fez mais um teste de farmácia e já me deu orientações sobre alimentação e vitaminas. 

Ali mesmo já peguei uma guia para um ultrassom, que não era obrigatório pois eu estava ainda na quarta semana de gestação, junto com uma receita para a compra de duas vitaminas: iodine e ácido fólico. Ao final da consulta ganhei um kit com informações sobre parto, amostras de creme para estria e seios e folhetos sobre a importância de achar uma midwife.

Aqui na Nova Zelândia, diferentemente do Brasil, quem faz o acompanhamento da gestante são as LMC – Lead Maternity Care. chamadas Midwifes: profissionais especializadas em acompanhamento, parto e pós parto. 

Midwife: sua companheira de parto

Pode parecer uma tarefa simples, mas além da parte “burocrática” em que você precisa achar uma profissional dentro da área em que você mora, por exemplo, também é importante achar alguém com quem você se sinta confortável e que compartilhe das mesmas ideias.

Existem muitas midwives e cada uma traz um tipo de experiência, de vivência e de metodologia

Embora exista uma consistência no trabalho delas, há de fato a individualidade de cada uma e isso precisa estar alinhado com a expectativa da gestante. Quando eu engravidei, por exemplo, eu queria uma midwife que fosse mais “natureba”, que aceitasse minha escolha sobre o veganismo e que estivesse “na pegada” de esperar pelo tempo do bebê o máximo possível

Como escolher a profissional ideal

Achei o site www.findyourmidwife.co.nz e ali eu mergulhei alguns dias de pesquisa, lendo o perfil de cada profissional que eu poderia gostar. Mandei mensagem para a primeira que preenchia todas as características do que eu procurava e depois de uns dois dias de espera, recebi um e-mail dizendo que ela não estava disponível para a data prevista para o meu parto. 

Demorou uns 10 dias e alguns emails negativos para que eu conseguisse, finalmente, um retorno positivo de uma Midwife, a Adriana do Mama Maternity, em Sandrigham. A partir daí ela me ligou, conversamos um pouco sobre mim e sobre como estava sendo minha gestação e marcamos a primeira consulta. 

O que esperar das primeiras consultas

No começo as consultas são mais espaçadas, 1 vez por mês se tudo estiver indo bem. A cada consulta a midwife media minha barriga, escutava os batimentos cardíacos do bebê, monitorava meu peso e alimentação.

A midwife também é responsável por prescrever as receitas das vitaminas e dar guia de exames de sangue e ultrassom

Aqui na Nova Zelândia o parto normal é sempre a primeira opção. Eles acreditam na capacidade da mulher de gerar e de parir sem a necessidade de intervenções desnecessárias, mas isso não significa que você não possa escolher.

A mulher tem total autonomia para escolher qual caminho quer seguir

Mas ela vai ser sempre orientada com foco no que é mais natural primeiro. Casos em que há a necessidade de intervenção, como o de uma cesárea, por exemplo, a própria Midwife vai recomendar que mais médicos e especialistas sejam envolvidos no processo. 

Não se assuste com imprevistos

No nosso segundo ultrassom o bebê não estava em uma posição fácil de medir o abdômen e isso resultou em uma medida falsa. Quando nossa LMC recebeu o resultado, ela decidiu me encaminhar para um especialista. Não era nada demais e nosso bebê estava bem, mas ela partiu do princípio de que é sempre melhor prevenir do que remediar. 

Embora a medicina esteja bem avançada e as máquinas usadas para medir tudo o que acontece dentro do nosso corpo sejam bem eficientes, é preciso lembrar que ali dentro está crescendo um ser que já vem cheio de personalidade, vontades e até manias. 

As medidas, embora muito importantes, podem sair um pouco de escala dependendo da posição do bebe, e está tudo bem com isso, viu!

Preparando o corpo e a mente

Grande parte do desafio durante a gravidez é conseguir lidar com as mudanças, tanto físicas quanto psicológicas. A bomba de hormônios que a mulher recebe durante a gestação mexe muito com tudo e, dentro do possível, você vai querer usar tudo o que estiver disponível para te ajudar.

Quanto custa?

Para quem possui um visto de trabalho ou de partner acima de 2 anos tem a facilidade de ser encaixado nos mesmos benefícios em que um cidadão ou mesmo residente. Isso significa (quase) todos os custos da maternidade gratuitos. É “quase” porque os exames como ultrassom, por exemplo, são pagos. Mas exames de sangue, consultas com a Midwife, com algum especialista (caso necessário) e hospital são subsidiados pelo próprio governo neozelandês. 

A dificuldade aparece para quem não possui um desses vistos acima. Nesses casos a família vai precisar arcar com todos os custos e, de acordo com as informações divulgadas pela Imigração, esses valores podem variar entre NZ$ 4.000 e NZ$ 9.000. Os valores são bem altos e é importante estar preparada caso seu visto não te garanta gratuidade. 

 

Na próxima semana: Chegou a hora. Onde parir?

 

Flávia Bonturi Previato

Mulher, mãe, jornalista e educadora.

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