Mulher

Ei, toma que o filho é teu

filhoO que acontece quando o filho fica doente? Quem fica em casa para cuidar da criança e porquê? Ainda que pareçam ser perguntas simples, e até meio fora de contexto, mas a verdade é que ainda hoje a resposta que mais aparece é: a mulher.

E os motivos são variados: ela cuida melhor do que o pai, tem mais jeito, consegue entender melhor o bebe, ela recebe um salário menor e, portanto, faz mais sentido ficar em casa, ou simplesmente porque a sociedade ainda reage mal e boicota o pai que escolhe ficar para cuidar da cria.

Filho vs Trabalho

Quantas mulheres acabam por colocar suas carreiras em risco por serem mães e terem a “obrigação” social de cuidar dos filhos. Não tenho nenhuma crítica às mães que ficam – eu sou uma mãe que, por inúmeras vezes, coloquei o bem-estar do meu filho como prioridade ao invés do meu trabalho. 

Mas o meu ponto principal, e o maior motivo de esse ser o assunto de hoje, é que eu venho percebendo, na pele, o quão intolerante a sociedade é com o pai que precisa ficar em casa para cuidar dos filhos, ainda que isso seja esporádico. E falarmos sobre a importância do papel do pai é fundamental para garantirmos que as mães tenham direito de exercer uma função para além da materna.

A sociedade ainda é patriarcal e não entende que o homem é tão responsável pelos filhos e pelas tarefas domésticas quanto as mulheres. Enquanto isso ainda for ridicularizado e diminuído, ainda teremos muitas mulheres abandonando o mercado de trabalho “por não darem conta de conciliar as duas funções”. 

Pai, o filho também é teufilho

É preciso normalizar a paternidade como parte do processo de criação e entender que isso significa permitir que pais sejam pais e não apenas coadjuvantes na criação dos filhos. Ficar em casa e cuidar de uma criança doente não faz do pai menos homem, tampouco faz dele um profissional desleixado. 

A diminuição do papel paterno sufoca a mulher e o mercado de trabalho feminino e a consequência disso é uma bola de neve na qual mulheres sem trabalhos acabam dependendo economicamente dos parceiros, ficam mais excluídas da sociedade e, por vezes, à mercê daquilo que lhes é imposto. 

Já é muito difícil se posicionar no mercado de trabalho e ter que encarar a desvantagem salarial – que já nem é mais escondida. A mulher ainda enfrenta um jogo de equilíbrio dentro da própria casa quando precisa escolher entre ir trabalhar ou cuidar do filho doente. A escolha gera culpa e a culpa adoece a mente. Uma relação saudável entre pais e mães passa, ainda que indiretamente, pelo entendimento que a sociedade têm dessas duas funções. Que mais pais possam ser pais, para garantir que mais mães possam ser mais do que mães. 

 

Flávia Bonturi Previato

Mulher, mãe, jornalista e educadora.

 

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