Carreira e TrabalhoNova Zelândia

Direto de Curitiba para uma fazenda na NZ

Conheça a história da Giovanna, jovem que topou o desafio em uma fazenda e hoje trabalha no plantio de vegetais.

Em qual área você nunca imaginou trabalhar? Você estaria disposto a mudar completamente de carreira e encarar desafios com os quais nunca sonhou? Tem gente que topa, sim, fazer essas mudanças. Uma das perguntas mais frequentes é: o que cada um está realmente disposto a fazer para realizar o sonho de morar fora?

A Giovanna, curitibana de 24 anos, se abriu para o mundo e encarou o desafio de trabalhar em uma fazenda de vegetais na Nova Zelândia. Hoje, ela que sempre morou com a família no Paraná, junto com o pai, a avó e as tias, vai contar um pouco de como tem sido essa jornada aqui.

Assim como muitos brasileiros, Giovanna começou a jornada pesquisando sobre o melhor lugar para morar, colocando na balança os gastos que poderia ter, custos de vida e oportunidades.

“A ideia inicial era Austrália, sempre gostamos muito de praia e meu namorado gosta de surfar, então, nosso sonho mesmo era Gold Coast. Depois de muito pesquisar fomos ver que a Austrália não cabia no nosso bolso, o curso era mais caro e o custo de vida também, acabamos vindo pra NZ e acho que era para ser, eu amo aqui!”, afirma a paranaense. (risos)

“Sempre estive perto da minha família e sinto muito a falta deles”, diz Giovanna.

Giovanna e Pedro em um passeio de Jet Ski.

Para quem nunca havia viajado de avião, Giovanna encarou bem toda a novidade e as longas horas de voo, assimilando toda a novidade que estava por vir. “Viajar de avião, conhecer outro país, tentar se comunicar em outra língua. Foi engraçado porque fui barrada na imigração, então, eu estava meio perdida, pensando” “meu Deus o que eu falo ou faço”, mas no fim deu tudo certo, conta ela, lembrando o quanto chorou de emoção e gratidão por ter chegado até aqui.

A vida real como se fosse um filme

Passado o impacto da primeira emoção, Giovanna conta como foi absorver tudo o que estava a sua volta. “Foi exatamente como eu esperava, e ao mesmo tempo era bem mais do que eu imaginava. As ruas, os ônibus, era tudo mágico na minha chegada! Eu brincava com o Pedro que eu me sentia em um filme”.

Giovanna colhendo morangos. Foto arquivo pessoal.

Como todo bom filme, a trama vai se desenrolando naturalmente e quando a gente vê, já está totalmente envolvido. Foi mais ou menos assim que a Giovanna e o Pedro acabaram indo parar em uma fazenda.

Meu namorado conhecia nosso chefe, que estava começando a trabalhar com fazenda. A oportunidade apareceu e ele aceitou” Depois de Pedro, foi a vez da Giovanna receber o convite para integrar o time da fazermos. Ela topou o desafio e não se arrepende.

Quando questionada sobre como é a rotina de trabalho, Giovanna explica que não dá muito para contar com uma rotina padronizada, pois muitas coisas podem acontecer durante o dia e planejamento.

“Mas, basicamente, eu chego às 8 horas, tomo café umas 10 horas e almoço perto do meio dia, depois eu tenho mais um break as 3pm”.

“Deu super certo, estamos até hoje trabalhando juntos”, diz Giovanna.

Foto arquivo pessoal de Giovanna.

Atividades na fazenda

Ela também relata um pouco do trabalho que faz na fazenda que trabalha com produção de vegetais. “Eu já fiz de tudo na fazenda, plantação e várias outras coisas em outros setores, mas o que eu mais faço é a parte do plantio. Planto brócolis, alface e silverbeet”.

A Giovanna contou que, apesar de ter crescido próxima da natureza, curtindo férias na chácara do tio no Paraná, o dia a dia da fazenda não se comparada a nada do que ela já viveu. Criada na cidade, ela acredita que o “fazer algo que você nunca tinha feito na vida. Cada dia é um desafio, cada vez que você aprende algo novo que nunca imaginou fazer”. 

“Um desafio também é trabalhar na chuva, algo que eu também nunca tinha feito, mas faz parte e já me acostumei.”

O trabalho no campo faz com que muita gente se pergunte se há discriminação com as mulheres nesse setor ou se existem alguma função que homens e mulheres não possam compartilhar. A Giovanna fala tranquilamente sobre isso e afirma que nunca sofreu discriminação preconceito por ser mulher.

“Onde eu trabalho eu nunca vi discriminação, os neozelandeses tratam as mulheres de forma igual e eu acho isso super legal”. Embora na fazenda em que ela trabalha apenas os homens fazem a colheita, Giovanna sabe que existem outras fazendas nas quais mulheres também participam da colheita. “Eu sei que tem vários lugares do mundo que tem discriminação com as mulheres, infelizmente, inclusive sei que possa ter aqui, mas no meu trabalho, em específico, eu nunca vi”, garante ela.

Brasileiro é trabalhador

Giovanna sorri ao se fotografar frente ao arco-íris. Foto arquivo pessoal.

Não é de hoje que os brasileiros têm fama de bons trabalhadores aqui na Nova Zelândia, e a Giovanna disse que é realmente algo que nos representa bem no país, “Já trabalhei com muitos brasileiros e 90% realmente trabalham bem”.

O bom do brasileiro é que a grande maioria está preparado pra tudo e sabe fazer tudo. “Já trabalhei com várias nacionalidades e vai muito do esforço da pessoa, tem gente que se dá bem com tudo e com todos e já vem com a cabeça aberta sobre trabalhos e aí fica mais fácil.”

“A gente se vira com pouco e transforma o pouco em muito (risos) cada país tem sua cultura e seus costumes, mas é nítido que algumas pessoas são mais esforçadas”

Preconceito não tem lugar aqui

Apesar de o trabalho na fazenda ser bem comum no mundo inteiro, ainda há um certo preconceito com os trabalhadores rurais, principalmente no Brasil. “Eu tenho certeza de que se eu morasse no Brasil hoje e falasse que trabalho em uma fazenda muita gente ia fazer piada ou achar que minha vida desandou. Lá tem sim muito preconceito com pessoas de cidades pequenas que moram em fazendas ou até trabalham com isso”.

“Aqui eu estou com pessoas ao meu redor que fazem trabalhos como cleaner, garçom, ajudante de restaurante, então estou cercada de pessoas que têm empregos que no Brasil as pessoas dão risada e aqui é normal. Eu saio do trabalho às vezes e antes de passar em casa passo em alguma loja com a roupa da fazenda e nunca vi ninguém me olhando torto ou se importando com a roupa suja, é normal”, conta Giovanna.

Giovanna aproveitando os esportes na neve. Foto arquivo pessoal.

A busca pela tão sonhada qualidade de vida é um dos grandes motivos pelos quais brasileiros se jogam na Nova Zelândia e a Giovanna explica que foi morando aqui que ela entendeu o que é ter qualidade.

“No Brasil eu achava que tinha, mas se eu for lembrar hoje não era bem assim. Saía sempre com o dinheiro contado no bolso, comprava alguma coisa e tinha muito medo de assalto. Andava com o celular sempre por dentro da roupa com medo, no verão várias vezes deixei de usar roupa curta com medo do que eu enfrentaria na rua, então, acho que isso não é qualidade de vida”, reflete a jovem curitibana.

Apesar do trabalho ser puxado, a relação entre salário e custo de vida favorece muito a possibilidade de uma vida com qualidade na Nova Zelândia. “Aqui eu não sou rica nem ando ostentando nada. Mas sempre ando segura sem medo do julgamento ou olhar dos outros. E eu trabalho dia de semana na fazenda e aos fins de semana consigo curtir ou comprar alguma coisinha mais cara sem me endividar”.

 

Nos fins de semana, Giovanna diz que gosta de aproveitar para se reconectar com a blogueira interior que vive nela. “Sempre quando acordo no sábado eu quero me transformar, quero passar uma make e tirar aquela terra do rosto que está lá a semana toda! Eu amo sair, então estou sempre passeando pelo centro e fazendo vários stories do dia. Agora com o canal eu saio para filmar nos fins de semana e quando eu tenho tempo.”

Giovanna e Pedro junto de amigos. Foto arquivo pessoal.

Tirar um sonho do papel e colocar em prática pode dar um pouco de medo e insegurança, mas a Giovanna acredita que o importante é se permitir e não deixar muito tempo passar. “Parece meio clichê, mas é o – só vai – se planeje e tire esse sonho do papel. Eu vim de um jeito meio doido, mas vim, me planejei e me joguei nessa, se eu tivesse demorado mais eu estaria no Brasil pois o coronavírus entrou.”

“Então é isso, se planeja, pesquisa sobre o país, começa a entrar nos grupos de brasileiros desses países e traça uma meta e só sossega quando você estiver lá”.

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