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Chegou a hora. Onde parir?

Escolher o local onde parir pode ser difícil e gerar muitas dúvidas. Hoje eu vou contar sobre as opções que eu tive e como elas me ajudaram a escolher o melhor caminho.

Uma das decisões que eu levei mais tempo para tomar foi o local onde eu teria o meu filho. Eu, particularmente, nunca gostei do ambiente hospitalar e, ao contrário de muitas mulheres, estar em um hospital não me fazia sentir mais confortável, por isso quando chegou a hora eu escolhi aquilo que fazia mais sentido para a minha jornada.

De qualquer forma, independentemente da decisão de cada família, a midwife vai encaminhar uma guia ao hospital próximo a sua casa, informando a data prevista para o bebe nascer e garantindo uma pré-vaga. Isso é obrigatório, assim caso seja necessário, o hospital já está ciente caso a família e a LMC (Lead Maternity Care) precisem aparecer por lá. 

Casa de Parto

onde parir
Foto: Arquivo pessoal

A Birthcare oferece um tour por dia para que famílias possam conhecer as salas de parto e os quartos. A gestante com vistos de residência ou aqueles acima de 2 anos, podem ficar hospedadas por até 3 dias sem pagar nada, mas os maridos pagam para dormir por lá. Além disso, as refeições também são pagas, incluindo a refeição da gestante, por isso é importante se programar bem.

A casa de parto tem, obviamente, um tom mais aconchegante e a estrutura é mais bem cuidada e tudo é muito mais novo. Para conseguir uma vaga é preciso preencher um formulário e se houver algo que possa ser considerado uma complicação, a própria Birthcare vai negar seu pedido e te orientar a procurar por um hospital. Isso pode acontecer nos casos em que a gestante apresente algum quadro de risco: hipertensão, diabetes gestacional, obesidade, etc. 

Acontece que apesar de a estrutura da casa de parto ser ótima, ela é limitada no quesito atendimento médico, afinal ali trabalham midwives e não uma equipe hospitalar com anestesista e médicos. O máximo de intervenção feito ali é um acesso na veia para garantir hidratação.

Parto Domiciliar

Outra alternativa ao hospital era ter o bebê em casa mesmo. Embora isso pareça um tanto medieval, principalmente para brasileiros (afinal no Brasil a prática é proibida), na Nova Zelândia isso ainda é bem comum e está associado justamente ao fato de aqui eles encorajarem o parto normal como primeira opção, esse site aqui pode te ajudar com informacoes importantes para sua decisao: www.homebirth.org.nz

Se a escolha da gestante for a de parir em casa, a midwife vai até lá com todo o equipamento que ela possui e vai usar todos os recursos que existem na casa: chuveiro, banheira, bola de pilates, sofá, cama, enfim, tudo que possa ser utilizado para garantir conforto e segurança na hora do parto.

Apesar de tentador, afinal eu estaria no conforto da minha casa, eu achei que nosso apartamento era pequeno demais, e eu queria a garantia de ter uma banheira para me ajudar a aguentar as contrações, pois eu estava decidida a não usar nenhum remédio. 

Hospital

O hospital tem tudo: midwifes de plantão, médicos, anestesista, remédios, máquinas, banheira, sala de parto individual, quartos individuais. A desvantagem aqui é que a comida não é lá grande coisa, é bem comida de hospital mesmo e o atendimento, embora muito bom no âmbito profissional, pode ser mais “frio e seco” do que o tom acolhedor da casa de parto. Mas a vantagem é a de já estar dentro de um ambiente capaz de atender qualquer necessidade e contratempos que o parto possa causar.

Minha experiência

Eu optei por ir para a casa de parto, fomos super bem atendidos e ficamos lá, em trabalho de parto por 15 horas. Acho importante falar isso, pois eu descobri ali, no meio das 15 horas, que as midwives não podem ficar mais de 12 horas trabalhando direto e precisam de descanso. Isso é a lei que determina. Acontece que eu quis ir para a Birthcare logo no começo do trabalho de parto e como o bebe demorou mais tempo para nascer, minha midwife teve que ir embora e uma nova equipe assumiu o parto do meu filho.

Algumas horas antes de o bebe nascer, eu já estava exausta e decidi ceder às investidas para colocar meu acesso venoso para me ajudar na hidratação. Infelizmente eu já estava bem desidratada e todas as tentativas foram frustradas. Nesse momento, a mifwife responsável, conversou calmamente comigo e disse que eles tinham feito tudo o que podiam ali, e que o ideal era me encaminhar ao hospital.

Existe um momento durante o parto em que a gestante vai ceder. Bom, eu cedi. Aceitei a ida ao hospital e a partir daquele momento tudo mudou no meu planejamento. A própria equipe entrou em contato com o hospital e já chamaram a ambulância para fazer a transferência. A midwife responsável foi comigo na ambulância, entrou no hospital, conversou com a nova equipe de midwives e explicou todo o meu processo até aquele momento. Quando eu já estava sendo atendida pela nova equipe, ela foi embora. 

Eu acho importante dividir essa parte da experiência com o máximo de pessoas possíveis; nem sempre nosso plano funciona e o mais importante é estar cercado de bons profissionais e que vão cuidar da gestante e do bebe com carinho, atenção e profissionalismo.

A equipe do hospital também foi super atenciosa. Conseguiram finalmente fazer o acesso venoso, tomei a tão assustadora epidural que, no fim das contas, eu nem senti. E o bebe nasceu, algumas horas depois, de parto normal mesmo. Foram 3 LMC’s diferentes e uma quantidade ainda maior de profissionais envolvidos entre Birthcare e Auckland Hospital, mas o importante é que eu, meu filho e meu marido fomos bem cuidados durante todo o processo. 

As três opções são perfeitamente seguras e o fator de decisão vai vir da individualidade de cada família. Olhe atentamente para cada opção, procure fazer o tour que é permitido e confie na sua intuição. Observe seu corpo e escolha a forma que te faça ficar mais confortável. Mas tenha calma caso as coisas mudem de direção, coloque sua atenção toda no bebe que está vindo e confie. Tudo vai dar certo. 

 

No próximo artigo: Burocracias do pós-parto

 

Flávia Bonturi Previato

Mulher, mãe, jornalista e educadora.

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