Comunidade Brasileira

A vida ao redor da Nova Zelândia durante a quarentena

Depoimento de nossos colunistas nas regiões de Auckland, Wellington, Christchurch, Queenstown

Nossa equipe de colunistas estão em regiões diferentes da Nova Zelândia. Pedimos que cada um escrevesse, contado como está a rotina durante estas semanas de quarentena. Alguns estão em casa, outros continuam saindo para trabalhar com certos cuidados. Algumas informações sobre a vizinhança, atividades que fazem sozinho ou com a família e algumas dicas. Esperamos que aproveite o conteúdo e “Stay Safe”.

Wellington – Capital da Nova Zelândia

Colunista: Clarisse Dias

Há alguns dias atrás, um pouco antes de fecharem as fronteiras, recebemos a visita da família do meu marido aqui em Wellington, e diante da atual situação eles não puderam voltar ao Brasil na data prevista. Com isso começamos a “tentar” passar esse tempo da quarentena de forma que nos identificamos mais afinal há situações, como essa, que não estão no nosso controle e devemos respeitar isso e saber “lidar” com esses momentos.

Aqui por casa estamos tentando dividir o tempo entre jogos de tabuleiro, vídeo games, filmes, séries, estudos de inglês, leitura e cozinha.

Eu continuo saindo pra trabalhar, pois trabalho em um lugar que esta classificado como serviço essencial, meu marido trabalha de casa. E quando estamos todos livres fazemos atividades juntos, toda a família. Nas redondezas aqui do meu bairro em Wellington vejo as pessoas fazendo caminhadas, saindo com crianças e/ou cachorros.

Foto por Clarisse Dias

O que percebo no olhar das pessoas é aquela certa preocupação, incerteza normal a qual todos estamos passando, mas também aquele olhar esperançoso e positivo de que tudo vai passar, assim como tudo passa. E é isso é o que mais admiro no ser humano, diante das dificuldades, dos momentos hard, tentar estar bem, e preocupar-se para que o outro também esteja, seja em um “Olá, tome cuidado” ou em um “Posso fazer algo por ti!?” E é assim que a gente vai enfrentando tudo isso, com a certeza de que tudo vai passar e estaremos todos logo, logo em nossa rotina normal.

West Auckland

Colunista: Lia Santos

Foto por Lia Santos

Nas ruas as pessoas parecem mais gentis que antes, todos se cumprimentam com um “Morning”a certa distancia de você, respeito e valor a vida. Como meu marido disse outro dia: É só dizer que algo é proibido, que nosso instinto nos faz querer muito fazer ou ter. Os passeios ao parque com meu filho de 1 ano continua, ele pode correr na grama e brincar comigo, as vezes observa outras crianças brincando bem longe.

Nossa rua começou a ter ursos nas janelas e então coloquei o meu também, iniciativa muito legal para as crianças ao saírem de casa com os pais buscando encontrar ursinhos.

Foto por Lia Santos

Neste bairro tem alguns condomínios onde moram apenas idosos, ao caminhar na frente percebi que agora possuem um guarda na entrada. Ele anota informações sobre quem entra e quem sai e acredito que deva alertar os idosos que saem para caminhar. Muito cuidado é pouco com este grupo de pessoas tão frágeis e que precisam de proteção.

Tenho procurado fazer algo diferente todos os dias, cantar, ouvir música, dançar, cozinhar alguma receita brasileira que sinto falta por aqui. Outro dia fiz o delicioso pão de queijo.

Tudo vai passar, mas tenho certeza que essas experiências marcam nossa vida pra sempre. Somos mais fortes do que pensamos.

Queenstown

Colunista: Tamires Oliveira

A quarentena já começou bem badalada, pois nos mudamos um dia antes de começar oficialmente, e assim foi, amanhecemos em quarentena e de casa nova, muitas coisas para fazer, arrumar, organizar e limpar, para deixar do nosso jeito. Isso envolveu 04 pessoas que hoje permanecem na casa 24 horas por dia, loucura né?? Um pouco, é um sentimento de bom e ruim ao mesmo tempo, até porque tudo que é obrigado a fazer nem sempre é confortável de realizar.

Mas, já se passou 10 dias, e consegui colocar muitas coisas em dia, posts no blog, organizar fotos, editar vídeos, e sério “nunca cozinhei tanto na vida kkkkk”. De repente, acordo todos os dias com uma vontade de preparar algo, seja um bolo, uma comida salgada, não tem limites, e se não possuo todos os ingredientes, tudo bem, já dou uma adaptada e o resultado fica delícia, bem até o momento ninguém reclamou aqui de casa, hahahaha.

A cidade de Queenstown, continua linda como sempre, porém parece uma cena de filme fantasma, sem ninguém pelas ruas, as que você encontra é ao redor do lago, fazendo alguma atividade física, mas o legal é que muitos moradores aderiram a brincadeira de colocar um urso de pelúcia na janela de suas casas, então, caminhando pelas ruas é possível ir a caça aos ursos, deixando o dia mais divertido.

É um momento difícil para todo mundo, porém precisamos tirar o melhor disso, desacelerar um pouco da correria, apreciar a vida a sua volta, fazer coisas simples e curtir o momento de estar junto com pessoas incríveis. Pois todos temos algo a ensinar, a estratégia de hoje é ter paciência e esperar o melhor para o nosso planeta.

Christchurch

Colunista: Caroline Godinho

Foto por Caroline Godinho

Ao ser indagada de como está a minha vida durante a quarentena respondo com a afirmativa de que estou lidando muito bem com este período de isolamento. Como assim?

Tenho certeza de que há famílias inteiras passando por esta situação com muita dor e sofrimento, desafios imensuráveis em ter que lidar com a convivência diária com filhos dentro de casa, relacionamentos abusivos, flatmates que não curte e espaços físicos limitados nos locais em que vivem, perdas financeiras e de pessoas queridas. Porém, eu sou privilegiada em inúmeras formas. Então, não está sendo difícil até o momento!

Isto não quer dizer que não seja emocionalmente dolorido ver o sofrimento dos outros, principalmente preocupante com a situação no Brasil e com a minha família que vive lá e na Europa onde a situação está bem difícil.

 

Mas a verdade é que minha fé e a minha gratidão por tudo que tenho me ajuda bastante a não ficar doida com tudo isso!

Quando perguntada o que tenho feito ou fiz durante estes dias de quarentena!

E não tenho saído para dar nem uma caminhada, porque fiz um acordo com a minha flamante que não sairíamos de casa!

Enfim, estou bem e desejando que tudo isso passe logo, que poucas pessoas sejam sacrificadas pelo resultado da ignorância humana e que o futuro da humanidade seja bem diferente do que estamos vivendo!

Que o futuro seja de mais solidariedade, menos consumismo e desperdício, menos poluição, menos gente! Mais amor!

Meus planos para quando tudo isso passar?

Continuar meu projeto de caminhadas, ainda faltam 73 para completar.

Fica em casa!

Foto por Caroline Godinho

North Shore – Auckland

Colunista: Andrieli Santos

Neste período de quarentena meu marido está trabalhando em casa de segunda a sexta, nosso flatmate costuma caminhar pelo bairro todos os dias, ele é uma pessoa muito hiperativa e para ele esse confinamento está sendo difícil, e eu ainda estou trabalhando de segunda à sexta, minha rotina da semana continua a mesma, mas final de semana estou usando meu tempo livre para fazer exercícios, meditação para aliviar a ansiedade e estou procurando ler coisas boas e não focar em noticias ruins.
Tenho assistindo muito filme também, e estou lendo sobre ufologia.

Neste artigo deixo Dicas para aliviar a ansiedade na Quarentena, aproveite e dê uma passada lá.

Queenstown

Colunista: Renata Nitzsche

Por aqui, a população local tratou de começar uma brincadeira chamada #bearhunt, que são colocados ursinhos nas janelas, para alegrar e distrair nossas caminhadas, nas trilhas a brincadeira já é a #rockhunt, onde as crianças fazem desenhos em pedrinhas coloridas e as colocam durante o percurso.

Enquanto fazemos as trilhas, também pegamos pedrinhas para trazer pra casa e pintá-las. Praticamos esportes, jogamos bola, frescobol e voleibol no quintal de casa, cozinhamos e muito🤦🏼‍♀️! Muitas receitas variadas e bem calóricas, dançamos, jogamos cartas e assistimos filmes toda às noites.

Leia esse artigo completo Queenstown repaginada.

Não sei se posso dizer que existe um lado bom dessa situação que infelizmente parou o planeta, mas estamos mais juntos, mais unidos, cuidando uns dos outros e em breve isso se refletirá no mundo.

E você, quer contar sua experiência? Envie mensagem para [email protected]

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